Gestão de empresas familiares e seus desafios

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Juliano Lopes, Consultor Empresarial

A gestão de empresas familiares é algo complexo, pois exige o equilíbrio diário entre relacionamentos no âmbito familiar e empresarial. Além disso, as relações familiares e de gestão empresarial pode ser frágil.

 

Desafios

Segundo pesquisa realizada pela PWC Global, com mais de duas mil empresas familiares em todo o mundo, empreendedores de modo geral enfrentam alguns dilemas relacionados à governança e à disseminação dos valores familiares, fatores que implicam diretamente na saúde dos negócios e na construção de uma empresa sólida e de sucesso.

Em virtude do alto grau de competitividade vivenciado pelas empresas atualmente, a adoção de práticas de governança, assim como o conhecimento e entendimento das empresas a cerca de sua missão, visão, valores, estratégia e planejamento corporativos são condições essenciais para que as empresas com gestão familiar possam sobreviver.

Pesquisas recentes apontam que somente 60% das empresas familiares são passadas para os filhos dos fundadores e, destas, 30% chegam até os netos, ou seja, somente 18% delas atingem a terceira geração e a principal causa da baixa sobrevivência apontada são as desavenças entre familiares.

Esse organização apresenta como principal característica a propriedade e gestão nas mãos de dois ou mais membros da mesma família, não descartando a participação de outros parentes em atividades operacionais.

Diante desse delicado cenário, os gestores precisam ser cuidadosos e ter conhecimento de quais são os principais desafios da gestão de empresas familiares. Até porque, muitas das vezes, os conflitos familiares são capazes de interferirem nas relações interpessoais no âmbito da empresa. E, assim, refletirem nas decisões do dia a dia. E isso não é nada bom para o sucesso da sua organização.

E, em muitos casos, o convívio familiar pode influenciar negativamente na condução dos seus negócios. Por isso, listamos 5 desafios que podem ocorrer na gestão de empresas familiares com o intuito de lhe auxiliar a enxergá-los e tentar vencê-los.

 

  1. Relação familiar x empresarial

De acordo com levantamento feito pelo  IBGE,  mais de 90% das empresas brasileiras são familiares. Ou seja, a maioria dos empresários brasileiros enfrenta uma preocupação extra advinda de qualquer gestão de empresa familiar, que é o fato de ter que de lidar, ao mesmo tempo, com as questões relacionadas ao desempenho, como produção e vendas, e o esforço diário de separar a relação familiar.

Assim, é notável que o grande desafio para as empresas familiares é discernir os temas relacionados à família e aos negócios. Isso porque é muito difícil perceber que a relação empresarial é muito diferente da relação afetiva da família.

Porém, não podemos afirmar que exista um modelo padrão de gestão familiar. Tudo depende da estrutura da família, bem como seu tamanho e história de vida. Além disso, o fato de pessoas de um mesmo convívio familiar se envolverem na administração de um negócio pode ser motivo desencadeador de conflitos à medida que as pessoas estão acostumados com certo nível de intimidade em família, mas não podem manifestar de forma ampla na empresa.

 

  1. Contratação x Custos

Outro grande desafio relacionado à gestão de empresas familiares é a questão da contratação. Até porque, muitas vezes, a presença de parentes na equipe é interpretada como estratégia de redução de custos. Nesse entendimento, normalmente, o fundador também entende que o familiar não vai exigir o rigor da lei no que se refere a salários e limites de horários. Além de se dedicar ao máximo para que a família prospere por meio do empreendimento.

Porém, exceções existem, e em muitos casos, pode exemplo, a contratação de familiar é o marco do início de diferentes conflitos, como questionamento de capacidade e incompatibilidade de interesses.

Você sabe que o sucesso do negócio é definido pelas pessoas que fazem parte dele. Por isso, as etapas de recrutamento e seleção são cruciais, principalmente em gestão de empresas familiares, onde não costuma ter um processo de escolha alinhado ao perfil e competência que a vaga exige. Daí está o desafio. Essa prática é bastante comum em negócios dessa natureza repercute no desempenho organizacional e nos relacionamentos interpessoais.

 

  1. Gestão x Sucessão

Um dos outros grandes impasses que engloba a gestão de empresas familiares é a sucessão. Esse momento de repasse de cargo é complexo e, às vezes, até traumático. Por isso, o primeiro passo a ser dado ao pensar em uma sucessão, é a identificação do real interesse dos sucessores em tocar o negócio.

Conforme pesquisa do Sebrae, a insistência com familiares que não se identificam tende a levar o negócio ao fracasso no curto prazo. O levantamento aponta que mais de 70% das empresas não resistem à segunda geração.

Mas, se no seu caso, há familiares interessados na sucessão, a melhor estratégia de continuidade deve ser definida. O ideal é que seja feita a elaboração de um plano de sucessão, com preparo prévio dos interessados nos aspectos técnicos e gerenciais.

 

  1. Comprometimento

Mais um expressivo desafio da gestão de empresas familiares é o comprometimento dos funcionários com laços sanguíneos. Como a gestão desse tipo engloba relações de confiança e cooperação, a expectativa de que esse colaborador seja mais comprometido e produtivo que os outros, é grande. Entretanto, tal idealização pode se transformar em algo desastroso. Principalmente quando as pessoas se fecham às mudanças e não estão dispostas a quebrar antigos paradigmas, por exemplo.

Quer fazer com o que o colaborador familiar aceite fazer parte do negócio? Lembre-se que ele precisa se incluir com uma maior carga de empenho e lealdade. Isso não é fácil, mas não é possível. Nesse processo, vale a pena refletir sobre a responsabilidade por colocar em risco uma boa convivência familiar ao contratar um parente. A separação entre negócio e família nem sempre ocorre naturalmente, mesmo sendo fortemente recomendada.

 

  1. Conflito de gerações

Mais um desafio muito comum na gestão de empresas familiares é o fato do fundador, o pai, por exemplo, ser muito conservador. Isso pode fazer com que ele barre as novas ideias do filho. Nesse ponto, há um delicado conflito de gerações, que pode ser decorrente da história de vida dessa família. Afinal, se os parentes não têm uma história de permissões, isso, com certeza, será levado para o ambiente organizacional.

O conflito de gerações deve ser evitado. Uma boa forma é introduzindo qualificações específicas para as lideranças da organização desde o momento de planejamento da sucessão.

Apesar de serem grandes, os desafios podem ser vencidos com uma gestão qualificada.

Fonte: Sebrae

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